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Natal Judaico? entenda tudo sobre a festa das luzes

O que é o Hanukkah?

Quem já nos acompanha nas redes sociais sabe: todos os anos celebramos o Hanukkah — a Festa das Luzes!
Mas você sabe o que significa essa tradição?

Enquanto os cristãos celebram o Natal, os judeus comemoram o Hanukkah — palavra hebraica que quer dizer "dedicação" ou "inauguração".
São oito dias de celebração, e em cada um deles acende-se uma vela da Menorá, o candelabro de nove braços que é um dos símbolos mais marcantes do judaísmo.

Preparamos este vídeo com muito carinho para partilhar um pouco mais sobre essa tradição linda, que já atravessa mais de dois mil anos de história.

História

Novas e antigas descobertas e evidências, nunca antes tratadas ou convenientemente usadas, revelam uma presença significativa de judeus em Nova Sintra e em outras localidades de Cabo Verde. Este arquipélago, situado no Oceano Atlântico, a cerca de 483 km da costa do Senegal, e especificamente a cidade de Nova Sintra na ilha Brava foi um local de migração para muitos judeus marroquinos durante o século XIX, vindos principalmente de Tânger, Tetuão, Rabat e Mogador (Essaouira hoje).

O fim da Inquisição e posteriormente a assinatura de um tratado de comércio e navegação constituiu uma oportunidade para os judeus de Marrocos que enfrentavam na altura uma crise económica e “uma onda de imigração de judeus marroquinos, começou a dirigir-se para o arquipélago de Cabo Verde, muitas vezes através de Gibraltar, em busca de novas oportunidades económicas”.

Aí exerceram actividades tais como comércio internacional e transporte, ou trabalhavam como directores em nome das autoridades coloniais portuguesas que controlavam o arquipélago estratégico de Cabo Verde.[i]

Uma das evidências desta presença encontra-se nas inscrições em lápides de pequenos cemitérios judeus ainda presentes em várias ilhas e que revelam que estes imigrantes usavam nomes sefarditas como Anahory, Auday, Benoliel, Benros, Benathar, Benchimol, Brigham, Cohen, Levy, Mom, Pinto, e Seruya Wahnon.

Outra, e importantíssima evidência é o legado vivo destes imigrantes, os seus nomes, que ainda são a identificação (nomes e apelidos) de muitas pessoas – descendentes ainda vivos e residentes nestes locais ou espalhados pela diáspora, assim como as suas casas que ainda conservam algumas caraterísticas reveladoras da tradição judaica e são conhecidas e mencionadas também pelos nomes da família.

A vinda de judeus para Cabo Verde iniciou-se desde o tempo do seu povoamento, pelo reino de Portugal em 1462, e, conforme Lopes (iii) que cita Serels, 1997, “O povoamento dessas ilhas, aparentemente áridas, começou com o reinado de Afonso V, 34 anos depois do mandato de expulsão dos judeus Portugueses. Assim, foi decretado pelo Rei propositadamente que se incluísse os judeus na colonização.” “Poucos foram os Judeus e muito menos os Novos Cristãos, que fixaram residência em Cabo Verde. Acredita-se que, os Judeus isolaram-se em alguns Guetos ou nas proximidades da Capital de Cabo Verde, visto que socialmente e racialmente eram repugnados pelos Portugueses (Meintel, 1984 citado por Serels, 1997, p.3 e 4).”

Segundo a historiadora Cláudia Correia [ii], a vinda de judeus tornou-se muito mais notória em meados do século XIX. Nesta altura, viveram em diversas ilhas, com grande prosperidade e normalmente tinham posições sociais de relevo. As suas casas eram grandes e localizadas no centro da vida social e económica das localidades onde se fixavam. Há locais onde as ruas principais eram ladeadas por grandes e elegantes casas onde praticamente só moravam judeus, e que constituíam uma espécie de zona privada a certas horas, de acesso reservado.

Ilha de Santo Antão
Vestígios da presença judaica sefardita.

Fontes:

Cláudia Correia,

“PRESENÇA DOS JUDEUS EM CV”, em linha, consultado a 20160820, http://brito-semedo.blogs.sapo.cv/289798.html

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Objetivos

A Fundação prossegue um conjunto de objetivos estratégicos que constituem no seu conjunto as grandes linhas orientadoras da sua atividade

  1. Resgatar e salvaguardar a herança judaica em cabo verde
  2. Promover a restauração e preservação dos cemitérios Judaicos em Cabo Verde.
  3. Promover a salvaguarda da documentação histórica relativamente herança judaica em Cabo-Verde, assim como a investigação histórica e cultural sobre a mesma.
  4. Promover a edição de Livros, produtos áudio visuais ou outros sobre a vida dos judeus Cabo-verdianos e seus descendentes.
  5. Promover o turismo com enfoque na Herança Judaica em Cabo-Verde
  6. Prestar assistência humanitária e Educacional em Cabo Verde de acordo com os princípios da Fundação.
  7. Promover o intercâmbio Cultural e Empresarial entre os descendentes dentro e fora do País.
Missão

Perpetuar o legado judeu seferdita oriundo de Marrocos, o Sr. Rafael Azulay Anahory, contribuindo para o desenvolvimento integrado da comunidade.

A Fundação Caboverdiana para a Preservação da Herança Patrimonial Judaica, de sigla FHJ é uma organização com caracter público mas de direito privado e tem por fim uma actuação conjunta na defesa e preservação do património urbanístico e cultural relacionado com a herança judaica e pretende conjugar a valorização histórica e patrimonial com a promoção turística.​

Neste momento a FHJ tem em curso um projecto de recuperação e preservação de um património, edifício residencial de um judeu seferdita oriundo de Marrocos, o Sr. Rafael Azulay Anahory, situado na Vila Nova Sintra – Ilha Brava .

Esta residência era um sobrado de dois pisos no século XVIII dos mais importantes da ilha e que hospedava representantes do governo de Cabo Verde quando se dirigiam a esta ilha em visita.

O Sr. Rafael Azulay Anahroy foi um grande armador que chegou a ter três barcos de longo curso que faziam a ligação entre Cabo Verde e EUA, foi também um grande comerciante. Construiu várias casas e contribuiu muito para o desenvolvimento sócio economico da ilha. Era muito querido na Brava e ajudava a todos.

O projecto de restauração da sua morada foi concebido de modo a reflectir os eixos condutores de valorização do património historico e cultural de uma forma dinamica e como elemento de divulgação de memoria e simultaneamente de contemporaniedade enquanto espaço museológico multiusos para diversas manisfestações culturais e artísticas. Os conteudos do espaço museologico- cultural deverão colocar Nova Sintra como parte de uma rede de circuitos migratórios enquadrada no contexto das rotas de cultura e religião judaicas como espaço onde se cruzam caminhos, memorias, tradições e vivencias diferentes.

A fundaçao caboverdiana para preservação da herança patrimonial judaica nasceu da vontade e da necessidade dos descendentes de judeus de ter uma organização nacional que promova o estudo, a animação de espaços e de defesa do seu patrimonio material e imaterial e fazem parte dela como socio-fundadores figuras proeminentes do nosso país descendentes de judeus tais como:

-Dr. Carlos Alberto Whanon de Carvalho Veiga (antigo primeiro ministro de Cabo Verde) e actualmente,e Embaixador de Cabo Verde em Washington.

-Dr. professor Jorge Manuel Santos Souza Brito – Presidente da Academia de Ciencias de Cabo-Verde.

-Dr. José Tomás Whanon de Carvalho Veiga (ex-ministro das finanças de Cabo-Verde).

-Dra. Vera Benros de Melo Duarte Lobo de Pina (ex-ministra da educação), e Presidente da Academia de Letras de Cabo-Verde.

-Dr Januario Nascimento– Presidente da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento ADAD).